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Teste – Suzuki Jimny 1.5 4×4 Mode 3 – Questão de princípio

A tão aguardada reedição do Jimny é totalmente fiel às suas origens. Com redutoras, tração 4×4, peso reduzido e um chassis de travessas e longarinas, estamos perante um dos todo-o-terreno mais autênticos e apetecíveis do panorama automóvel atual.

Passaram-se quase cinquenta anos desde o lançamento do primeiro Jimny e muita coisa mudou na indústria automóvel. Porém, a Suzuki decidiu converter os valores de então na senha de identidade do modelo de hoje. E a verdade é que, apesar dos muitos lançamentos de carros novos que temos presenciado, este pequeno jipe foi um dos que mais expetativa suscitou.

O novo Jimny é um modelo para os nostálgicos da condução off-road pura e dura, ainda que o desenho fresco e jovial possa induzir em erro: não se trata de um citadino, mas sim de um todo-o-terreno muito capaz, desenvolvido para percorrer trilhos de terra e transpor obstáculos com nota máxima… basicamente andar quase tanto em terra como em asfalto.

Com uma carroçaria pouco preocupada em questões aerodinâmicas e com apenas 3,65 metros de comprimentos (já contando com a roda sobresselente colocada no portão traseiro), este japonês concentra um grande espírito radical e aventureiro. Uma personalidade que se sente logo desde os primeiros quilómetros.

O ajuste brando da suspensão (convém recordar que conta com eixo rígido em ambos os eixos), a direção lenta (há demasiadas voltas entre topos), a menor filtragem interior dos ruídos provenientes do motor e do exterior… Na prática, se no asfalto apenas tenta cumprir até velocidades um pouco acima dos limites estabelecidos, já quando se aventura fora de estrada o caso muda completamente de figura. A perceção de um automóvel com poucas aspirações dinâmicas transforma-se precisamente no contrário assim que “toca” na terra.

Aqui, a combinação do chassis de travessas e longarinas e da referida suspensão aliam-se à tração integral para deleite dos mais puristas do off-road. Para rematar, o precioso auxílio das redutoras, um dispositivo cada vez mais em desuso nos tempos modernos.

Tração total

Se o terreno não for muito acidentado, o modo de tração traseira (2H na alavanca adjunta à caixa de velocidades) chega na perfeição para circular. Ganha efetividade na posição 4H (liga a tração no eixo dianteiro) e sobretudo na posição 4L, quando, com as redutoras, permite “escalar” rampas com desenvoltura ou aventurarmo-nos em zonas mais delicadas por cima de rochas e montes, sempre com relativa facilidade.

Com uma carroçaria tão leve (pesa pouco mais de 1.000 kg), o único motor proposto para o Jimny cumpre melhor do que se poderia prever. Trata-se de um 1.5 de quatro cilindros atmosférico (gasolina) com 102 CV e discretos 130 Nm de binário máximo, acoplado a uma caixa manual de cinco velocidades de relações curtas. Assim, mitiga estes números com grande brio inicial e com boa desenvoltura nas primeiras relações, enquanto em autoestrada vêm ao de cima as suas limitações, até porque a caixa curta faz com que chegue rapidamente ao limite das rotações. Todavia, revela-se mais do que adequado para uma utilização radical em fora de estrada, exatamente o que a Suzuki promove com este modelo.

Ora, perante este cenário não é de estranhar que os 120 km/h de velocidade máxima permitida (homologa apenas 145 km/h) sejam obtidos a um regime algo elevado, 3.700 rpm, situação que acaba por interferir com o conforto acústico e com o consumo; médias reais entre sete e oito litros aos 100 km.

Mas, e nunca é demais repetir, as verdadeiras capacidades deste Jimny estão fora do alcatrão, onde anuncia 37º de ângulo de ataque, 28º de ventral e 49º de saída, sempre favorecidos pelos seus curtos e bem estudados overhangs.

Os pneus seguem a mesma conceção “off road”, ao proporem uma aderência correta em qualquer tipo de piso, embora mais preparados para oferecer melhor motricidade em superfícies mais delicadas.

Da mesma forma, tanto o interior como o exterior do novo Jimny foram desenvolvidos com simplicidade, com o objetivo claro de perdurar muito mais no tempo do que agradar à primeira vista. Não vai encontrar grandes luxos, nem espaço desafogado (o habitáculo foi concebido para quatro e a mala com 85 litros é… brincadeira), ainda assim este Jimny Mode 3, o mais equipado da gama, inclui vários dispositivos de segurança, como a travagem de emergência, alerta de transposição de faixa de rodagem ou ainda elementos como o sistema de navegação e bancos aquecidos.

Texto Juan Pablo Esteban
Fotos Paulo Calisto

FICHA TÉCNICA

SUZUKI JIMNY 1.5 4×4 MODE 3

TIPO DE MOTOR Gasolina, 4 cilindros em linha, atmosférico

CILINDRADA 1.462 cm3

POTÊNCIA 102 CV às 6.000 rpm

PAR MÁXIMO 130 Nm às 4.000 rpm

V. MÁXIMA 145 km/h

ACELERAÇÃO N.D.

CONSUMO 6,8 l/100 km (misto)

EMISSÕES CO2 154 g/km

DIMENSÕES (C/L/A) 3.645 / 1.645 / 1.725 mm

PNEUS 195 / 80 R 15

PESO 1.135 kg

BAGAGEIRA 85 – 377 l

PREÇO 25.220 €

GAMA DESDE 21.483 €

I.CIRCULAÇÃO (IUC) 168,98 €

LANÇAMENTO Novembro de 2018

EQUIPAMENTO

SÉRIE

Airbags frontais, laterais (dianteiros) e de cortina; controlos de estabilidade e tração; travagem de emergência autónoma; alerta de mudança de faixa; alerta anti fadiga do condutor; controlo de ajuda em descidas; tração 4×4 com redutoras; fixação ISOFIX; barras de absorção contra impactos laterais; assistência de luzes de largo alcance; reconhecimento de sinais de trânsito; cruise control com limitador; faróis de LED; luzes de condução diurnas; faróis de nevoeiro; retrovisores elétricos; vidros dianteiros elétricos; sensores de luz e chuva; volante multifunções forrado a couro; ar condicionado; bancos dianteiros aquecidos; bancos traseiros rebatíveis 50:50; sistema multimédia com ecrã de 7’’, leitor MP3, entradas USB, Bluetooth, navegação e tecnologias Android Auto e Apple CarPlay; tomada de 12V; e jantes em liga leve de 15 polegadas.

OPCIONAIS

Pintura metalizada (350 €)

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