Teste – PORSCHE TAYCAN 4S – Novo mundo elétrico

A gama Taycan diversifica-se com a chegada de novas variantes, após o lançamento com os Turbo e Turbo S. Na base da gama está (por enquanto) a versão 4S, menos potente, mas igualmente capaz de prestações de suster o fôlego com o benefício de um custo mais… simpático. Neste equilíbrio reside o seu trunfo e o sinal para uma nova era.

Empenhada na transição para a mobilidade elétrica, a Porsche tem no Taycan um representante de ponta, honrando os pergaminhos desportivos da marca, mas ao mesmo tempo com uma imagem vanguardista e soluções tecnológicas de nova geração. Esta berlina coupé de quase cinco metros de comprimento assume-se como o seu manifesto inicial pela eletrificação, com visual distinto fortemente inspirado no Mission E Concept.

É pelo design que o Taycan começa por ganhar o seu espaço – além do encanto magnético do logótipo da Porsche, este elétrico prima pela silhueta aerodinâmica, com frente baixa associada a tejadilho curvo que descende de forma suave rumo à extremidade traseira, disfarçando as duas portas traseiras para se assumir quase como um coupé. Com um coeficiente de arrasto de apenas 0.22 Cx, o 4S denota bem a atenção que recebeu em termos de aerodinâmica – há detalhes como a grelha ativa (que abre ou fecha consoante as necessidades de refrigeração), o fundo quase plano para não interferir com a passagem do ar ou os puxadores das portas retráteis quando em andamento. Atrás, não há tubos de escape, mas um generoso difusor, complementado pelo spoiler retrátil na tampa da bagageira. No seu todo, o Taycan é um tratado visual.

Era da digitalização
A constatação de uma nova era prossegue no habitáculo, totalmente orientado para a digitalização, pautando-se por diferentes ecrãs: a instrumentação tem por base um ecrã curvo configurável e bastante versátil, havendo ao centro um ecrã tátil de 10,9” através do qual se conseguem comandar todas as funcionalidades do veículo, desde o sistema áudio aos ajustes dos sistemas de condução e de carregamento, passando ainda pela navegação. Adicionalmente, o Taycan permite comandos vocais através da frase ‘Ei Porsche’. A conectividade aos smartphones é abrangente, podendo ainda dispor de aplicação para controlo remoto do estado do veículo.

Na consola central, entre os dois bancos, há um terceiro ecrã (também tátil, de 8,4”), disposto na vertical, que permite atalhos para o sistema de infoentretenimento e controlar a climatização – tudo muito evoluído, pedindo alguma habituação prévia, mas num ambiente moderno, bem conseguido e com requinte e luxo.

A posição de condução é excelente, demonstrando maior aptidão desportiva, com boa visibilidade geral à exceção da oferecida pelo óculo traseiro, de reduzidas dimensões e elevado.

O Taycan 4S – com tejadilho panorâmico na unidade ensaiada – oferece amplitude interessante a bordo, com espaço suficiente para quatro adultos de maior estatura. Ainda assim, não é brilhante: a curvatura do tejadilho pode ser incómoda para passageiros com mais de 1,85 m de altura e, se o espaço para as pernas é bom, os pés ficam posicionados sobre as grelhas de saída da climatização. O opcional ‘4+1’ permite dispor de um terceiro lugar atrás, mas o túnel central proeminente e o assento central pouco confortável aconselham que se mantenha a vivência para dois ocupantes.

Pulsações rápidas
Aspeto no qual este Porsche revela todas as suas credenciais é no das prestações. Com esquema de dois motores elétricos capazes de debitar até 320 kW (435 CV), em condução normal, ou 390 kW (530 CV), em modo ‘Overboost’ para arranques fulgurantes, o Taycan 4S acelera com impetuosidade digna de um excelso desportivo, podendo colar os ocupantes aos bancos com facilidade desconcertante. Quando selecionado o modo ‘Sport Plus’ no comando rotativo no volante, as reações do Porsche apuram-se: a suspensão pneumática adaptativa (de três câmaras) torna-se mais firme, a direção mais pesada e a entrega da potência ganha contornos quase balísticos, com os 640 Nm de binário a permitirem desenvencilhar-se de forma harmoniosa de todos os desafios.

A condução revela-se empolgante e emotiva, com aceleração poderosa, travagem a condizer e comportamento estável e reativo, dando ao condutor imensa informação sobre o que se passa no asfalto. Neste capítulo, apesar das mais de duas toneladas, o Taycan 4S impressiona – mesmo sem o extremismo das versões Turbo. A interação dos dois motores (e a distribuição variável do binário) permite um dinamismo e motricidade elevados em ritmos mais fortes. Já a sonoridade no modo ‘Sport Plus’ (opcional) acaba por tornar-se algo monótona – é aí que se sente falta da ‘velha’ combustão.

Já nas toadas do dia-a-dia, escolhendo-se os modos ‘Normal’ ou ‘Range’, esta berlina também sobressai, com conforto impressionante (mesmo com jantes opcionais de 20”) e, neste último modo, dando primazia à eficiência, com limitação climatização e da velocidade máxima a 120 km/h. A regeneração de energia pode ser ativada para funcionar sempre que se tira o pé ou em modo automático (utilizando a câmara dianteira para avaliar proximidade do veículo precedente).

O consumo energético é positivo, pois aproveitando-se ao máximo o modo ‘Range’, obteve-se valor de 22,4 kWh/100 km, pelo que é possível superar facilmente os 350 km de autonomia. Viver com o Taycan 4S ‘pede’ o recurso a uma ‘wallbox’, com um ponto AC de 11 kW a permitir carga completa em oito horas. Nos postos DC de 50 kW pode repor 100 km de autonomia em 31 minutos. O máximo de corrente direta (DC) é de 225 kW.

A versão de entrada tem custo base de 110.866 €, mas os opcionais à disposição são muitos e variados, podendo engrandecer o preço de forma substancial (a unidade ensaiada rondava já os 129 mil euros).

Texto Miguel Silva
Fotos Paulo Calisto

CONCLUSÃO
Além de atrair novos clientes, o Taycan tem o mérito de convencer os indefetíveis da Porsche de que o seu legado está protegido. A versão 4S traz uma maior acessibilidade, mantendo grande parte dos atributos dos mais potentes Turbo, como as prestações ou o dinamismo. O valor a pagar é justo e dá que pensar se esta não será a versão mais racional – e apelativa – da gama.

FICHA TÉCNICA
PORSCHE TAYCAN 4S

TIPO DE MOTOR2 motores elétricos, síncronos permanentes
POTÊNCIA (NORMAL)435 CV (320 kW)
POTÊNCIA (OVERBOOST)530 CV (390 kW)
BINÁRIO MÁXIMO640 Nm
TRANSMISSÃOIntegral variável; 1 vel. no eixo diant. + 2 vel. no eixo tras.
BATERIAIões de lítio, 79,2 kWh
AUTONOMIA (WLTP)Entre 335 e 408 km
V. MÁXIMA250 km/h
ACELERAÇÃO4,0 s (0 a 100 km/h)
CONSUMO (WLTP)21,0-25,6 kWh/100 km (misto)
EMISSÕES CO2 (WLTP)0 g/km
DIMENSÕES (C/L/A)4.963 / 1.966 / 1.379 mm
PNEUS225/55 R19 (fre.)
275/45 R19 (tras.)
PESO2.140 kg
BAGAGEIRA84 (fre.)/407 (tras.) l
PREÇO110.866 €
GAMA DESDE110.866 €
I. CIRCULAÇÃO (IUC)0 €
LANÇAMENTOJulho de 2020

 

 

 

 

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