Portada » Destaques » TESTE – Mercedes-Benz C300de Station – Maravilhosa criatura

TESTE – Mercedes-Benz C300de Station – Maravilhosa criatura

Desenhada em Estugarda para o mundo, e de linhas apelativas, a C300 de Station resulta da combinação de um motor Diesel com um elétrico, provando que o gasóleo não morreu e que, com ajuda, pode muito bem ser um combustível para o futuro.

Colocando de parte as tentativas do Grupo PSA com o Peugeot 508 RXH e com o Citroën DS5 Hybrid 4, que já fazem parte da história das respetivas marcas, raros são os híbridos que combinam um motor elétrico com um bloco a gasóleo. A própria Land Rover já fez uma experiência e até a Volvo com o antigo V60, mas a verdade é que o princípio não é de todo coerente: um motor Diesel funciona de forma perfeita em velocidade constante, o que não acontece num hibrido, que modula permanentemente o funcionamento entre as duas unidades.

Binário de AMG
Tecnicamente falando, nesta carrinha Mercedes-Benz encontramos o mesmo bloco 2 litros Diesel de quatro cilindros que sobressai debaixo do capô do irmão C 220 d (194 CV), aqui associado a um motor elétrico de 122 CV alimentado por uma bateria de 13,5 kWh (precisa de 5 horas para carregar numa tomada caseira ou de 1h30 numa Wallbox). A potência combinada é de 306 CV e o binário de… 700 Nm, ou seja, ao nível de qualquer AMG que se preze.

O princípio é idêntico ao de outro híbrido recarregável. Apenas a tampa da tomada de carregamento, situada no para-choques traseiro do lado direito, e os dois discretos monogramas EQ Power nos guarda-lamas dianteiros distinguem a nossa 300de de qualquer outra carrinha Classe C. Contudo, a bateria situada por cima do eixo traseiro “rouba” consideravelmente espaço à bagageira: uma bossa de 13 centímetros de altura que cria um degrau no piso da mala é mais do que suficiente para que a capacidade diminua de 485 para 315 litros. É de facto um dos pontos menos positivos desta versão, até porque sendo uma carrinha, deveria ter uma bagageira condizente.

Autonomia de 53 km
A utilização é uma boa surpresa, porque faz muito bem a gestão das duas unidades. A passagem de um motor para o outro é inteligentemente bem realizada, transparente e fluída, basta que nos adaptemos às variações da travagem, que é sempre mais “brusca” do que a de um carro convencional. A “armada” eletrónica é bem suportada por sensores e radares, antecipando a regeneração e carregamento no modo Eco. Até as desacelerações no meio do trânsito são analisadas, com o objetivo de maximizar a recuperação em desaceleração.

Além disso, podemos “brincar” com os modos específicos do sistema híbrido que permitem andar totalmente em modo elétrico, em modo híbrido ou utilizar o motor a gasóleo para carregar o elétrico, aumentando consequentemente o consumo de combustível e ganhando mais alguns quilómetros elétricos na bateria. Na prática, conseguimos realizar 40 km em modo elétrico, quando a Mercedes-Benz anuncia 53 km, um valor que nos pareceu, ainda assim, interessante. É mais do que suficiente para efetuar um trajeto quotidiano de casa-trabalho-trabalho-casa e diminuir seriamente o consumo global de gasóleo. A caixa automática de 9 velocidades, muito desmultiplicada nas últimas relações, ajuda a manter um regime de rotações muito baixo.

Esta versão estava equipada com a suspensão pneumática Air Body Control, ou seja, reforça o pisar refinado em zonas urbanas com pisos mais deformados, mas o amortecimento é sempre correto. As rodas (jantes de 19 polegadas opcionais) nunca perdem o contacto com o chão e são acompanhadas pelo correspondente eficaz controlo dos movimentos da carroçaria até quando se anda mais depressa, com destaque para a forma como o chassis mantém a precisão de trajetória sempre que tem de absorver imperfeições em pleno apoio, que obrigam a utilizar os limites da suspensão.

Apesar dos mais de 300 CV, é verdade que se notam os 1.955 kg de peso, mas o binário surge de forma explosiva, dando sempre a celeridade certa ao conjunto, aliás, apesar dos números, este é um modelo mais para passeios em ritmos moderados do que um “predador” de curvas.

Texto: Ricardo Carvalho
Fotos: Paulo Calisto

FICHA TÉCNICA
MERCEDES-BENZ C 300 DE STATION
TIPO DE MOTOR Diesel, 4 cilindros em linha, turbo
CILINDRADA 1.950 cm3
POTENCIA 194 CV às 3.800 rpm
BINÁRIO MÁXIMO 400 Nm entre as 1.600 e as 2.800 rpm
TRANSMISSÃO Traseira, caixa automática de 9 vel. (9G-Tronic)

MOTOR ELÉTRICO
POTÊNCIA MÁXIMA 122 CV / 90 kW
BINÁRIO MÁXIMO 440 Nm às 2.500 rpm
BATERIA Iões de lítio, 13,5 kWh
AUTONOMIA 53 km

POTÊNCIA COMBINADA 306 CV
BINÁRIO COMBINADO 700 Nm

V. MÁXIMA 250 km/h
ACELERAÇÃO 5,7 s (0 a 100 km/h)
CONSUMO (WLTP) 1,4 l/100 km (misto)
EMISSÕES CO2 (WLTP) 39 g/km
DIMENSÕES (C/L/A) 4.702 / 1.810 / 1.465 mm
PNEUS 255/35 R19
PESO 1.955 kg
BAGAGEIRA 315-1.335 l
PREÇO 72.156 €
GAMA DESDE 57.600 €
I. CIRCULAÇÃO (IUC) 224,33 €
LANÇAMENTO Setembro de 2019

Acrescentar comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

ÚLTIMA EDIÇÃO
Siga-nos no Facebook