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Teste – Alpine A110 S – Império dos sentidos

O conceito que deu origem ao Alpine A110 é muito simples: baixo peso, elevada rigidez e potência adequada para oferecer ao condutor uma simbiose muito particular atrás do volante.

Esta era já a grande ‘missão de vida’ de Jean Rédélé, fundador da marca, que o Grupo Renault tratou de replicar na modernização do A110. Altamente elogiado no lançamento, o modelo de base não tardou a receber uma variante mais extrema, o 110 S, que recorre a algumas mudanças técnicas e estéticas para tornar o conjunto ainda mais apetecível e eficaz.

Compacto (4,18 m de comprimento, 1,80 m de largura e 1,25 m de altura), o A110 S destaca-se pela configuração de motor em posição central traseira, uma peculiaridade numa era em que ser diferente é já tarefa árdua. Esse é um dos truques do Alpine, que se socorre de baixo centro de gravidade e de distribuição de peso muito eficaz para se tornar num desportivo mais empenhado.

Embora mantenha o motor 1.8 sobrealimentado da versão original, a pressão do turbo foi aumentada em 0,4 bar e, com isso, aumentou a potência de 252 CV para 292 CV, com 320 Nm de binário máximo, disponível entre as 2.000 rpm e as 6.400 rpm, ou seja, mais 1.400 rpm de entrega. O conjunto fica completo com a caixa automática de dupla embraiagem de sete velocidades da Getrag, com patilhas fixas na coluna da direção para comando sequencial.

O peso de apenas 1.114 kg (graças à estrutura em alumínio) continua a ser ótimo cartão-de-visita, favorecendo o comportamento dinâmico, com o chassis a ser ajustado para as novas necessidades: molas helicoidais 50% mais duras, amortecedores reajustados e barras estabilizadoras (ocas) 100% mais firmes, aproximando a carroçaria do solo em 4 mm. Há ainda pneus Michelin Pilot Sport 4 mais largos (215 mm à frente e 245 mm atrás) e um sistema de travagem mais eficaz e resistente à fadiga composto por discos Brembo bi-matéria, com discos de 320 mm nos dois eixos.

Diversão garantida
A primeira sensação que o A110 S oferece é de ligeireza e precisão nos seus movimentos. Com um chassis muito eficaz e bem calibrado, no qual sobressai a direção, este Alpine oferece muita confiança, proporcionando uma condução bastante divertida em que a estabilidade predomina com transferências de massas exemplares. Ainda que seja um tração traseira, o diferencial eletrónico serve de assistente importante na entrega da potência às rodas motrizes, catapultando-o para fora das curvas com enorme rapidez. Escolhido o modo ‘Sport’, o seu brilhantismo torna-se evidente em percursos sinuosos, deixando controlar a passagem em curva com o pedal direito para depois deixar ao motor a tarefa de ‘desaparecer’ nas retas. Impetuoso, o propulsor transmite velocidade e fôlego entusiasmante numa ampla escala de rotações, possibilitando utilização mais ‘em cima’ para melhor se tirar partido dos 292 CV. Nesse modo, a sonoridade dos escapes torna-se mais grave e borbulhante nas passagens de caixa.
O seu carácter muda em modo ‘Track’, com reações ligeiramente mais bruscas, assemelhando-se, em certa medida, a um ‘kart’ à escala grande. Recompensador e divertido de explorar, mas sempre merecedor do devido respeito e atenção, sobretudo se o controlo de estabilidade for desativado. Nota positiva para a capacidade da travagem.
Para condução pacata existe o modo ‘Normal’, que ameniza a entrega da potência e a sonoridade dos escapes, assumindo-se assim como um modelo relativamente confortável para uso diário (nem tanto funcional). O baixo peso não só influencia o comportamento desportivo de forma positiva, como também ajuda nos consumos, relativamente ‘simpáticos’ em ritmos menos efusivos: a nossa média de 9,1 l/100 km demonstra isso mesmo.

Vira cabeças
O perfil coupé e o estilo ‘retro’ funcionam como um íman de atenções. No caso do modelo ensaiado, a pintura branca (Irisé por 1.845 €) adequa-se no contraste com as jantes de 18” Fuchs em alumínio (1.033 €). Únicos na versão ‘S’ são os pormenores de design como as bandeiras nos pilares traseiros, a assinatura Alpine em preto na traseira e as pinças de travão em laranja. O teto em fibra de carbono com acabamento brilhante é um opcional valioso (2.460 €) que reduz o peso total.
No habitáculo, a tonalidade preta é dominante, combinando-se com pespontos laranja e revestimento preto associado a elementos em fibra de carbono para um ambiente simples e de qualidade. O túnel central é exemplo, dispondo dos principais comandos, como os da caixa ou dos vidros elétricos, embora a zona inferior de arrumação seja pouco prática pelo difícil acesso. As bacquets Sabelt promovem ambiente ainda mais desportivo: leves (13,1 kg cada) e hábeis no suporte do corpo com molde em carbono (1.845 €). No topo do tablier desponta um ecrã tátil de 7.0” que controla o sistema multimédia, que poderia ser mais intuitivo e mais moderno, mas que oferece o essencial (até telemetria), contando com sistema áudio Focal de série.
A maior exclusividade também se paga: a versão 110 S tem um custo sem opcionais de 75.947 €, sendo a unidade ensaiada digna de um preço de 81.187 €.

Texto Miguel Silva
Fotos Paulo Calisto

FICHA TÉCNICA
ALPINE A110 S
TIPO DE MOTOR Gasolina, 4 cilindros em linha, turbo
CILINDRADA 1.798 cm3
POTÊNCIA 292 CV às 6.400 rpm
BINÁRIO MÁXIMO 350 Nm entre as 2.000 e as 6.400 rpm
TRANSMISSÃO Traseira, caixa auto. 7 velocidades (dupla embraiagem)
V. MÁXIMA 260 km/h
ACELERAÇÃO 4,4 s (0 a 100 km/h)
CONSUMO 7,4 l/100 km (misto)
EMISSÕES CO2 168 g/km
DIMENSÕES (C/L/A) 4.180 / 1.798 / 1.248 mm
PNEUS 215/40 R18 (fre.)
245/40 R18 (tras.)
PESO 1.114 kg
BAGAGEIRA 100 (fre.) + 96 L (tras.)
PREÇO 75.947 €
GAMA DESDE 63.254 €
I. CIRCULAÇÃO (IUC) 238,66 €
LANÇAMENTO Outubro de 2019

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