Teste – Abarth 595C Yamaha Monster Energy – Viver ao ritmo do Moto GP

Mesmo com o anúncio da conversão para os elétricos até 2030, a Abarth não perdeu o ritmo no desenvolvimento de séries especiais do pequeno e divertido Abarth 500. Desta feita é a vez do Yamaha Monster Energy em versão cabrio com 165 CV.

Certas rotinas são necessárias para colocar um pouco de ordem na vida de cada um de nós. Mas há um momento no qual é permitido sorrir e a Abarth sabe como se faz. Qualquer uma das suas pequenas pérolas, seja qual for a série especial, é capaz de o alegrar assim que roda a chave no contacto, à antiga.
O Abarth 595 Yamaha Monster Energy pretende posicionar-se como candidato para fazê-lo vibrar em qualquer situação. Desenvolvido pela marca do escorpião em parceria com a equipa de Moto GP onde correm Maverick Viñales e Valentino Rossi, pretende chegar a um público apaixonado pelas sensações desportivas, sobre quatro e duas rodas, de forma a combinar a paixão pelas motos, com a estabilidade e polivalência que um utilitário vitaminado como este pode oferecer… sempre com uma estética singular.

Quando se passa em visita os 70 anos de história da Abarth, que se cumpriram em 2019, e já se conduziu algum destes carros com aspeto de “micro-machine”, entende-se muito melhor a filosofia de Carlo Abarth, um dos preparadores mais célebres de todos os tempos: kits aerodinâmicos, suspensões, rodas e potência do motor para proporcionar resultados de autêntica vertigem.

2000 exemplares

Cada uma dos 2000 exemplares desta série numerada tem por base um 595 normal, contudo tem elementos estéticos e mecânicos próprios. Do lado de fora, esta edição distingue-se pela cor azul da Yamaha Racing Factory, acompanhada pelo negro e pelas garras verdes da bebida energética. Pode também vir em preto com esse distintivo a verde… Nas laterais, surgem linhas de velocidade, logótipos da equipa oficial de motociclismo, retrovisores em cinzento baço, jantes específicas… e formas que terminam num pronunciado spoiler com um apelativo difusor e quatro saídas de escape, duas a duas, com escape Record Monza.
É tempo de rodar a chave, e observa a exclusiva coreografia do Abarth a entrar na garagem num ecrã tátil de 8″, e ouvir o primeiro “olá” dos instrumentos musicais, leia-se escapes, magnificamente interpretados por um motor de 4 cilindros Turbo de 1,4 litros que é capaz de desenvolver 165 CV.

Um coração com alma

O coração desta máquina é verdadeiramente selvagem, mas pode ser domesticado a gosto em qualquer estrada de montanha.
O espaço interior é um dos seus piores argumentos: o volante só tem regulação em altura (não regula em profundidade) e dá a sensação de que vamos sentados numa posição muito elevada. O melhor será colocar as costas do banco mais verticais para adotar uma postura realmente racing.
Lá dentro podemos desfrutar de vários detalhes vitaminados e não falta o espírito das corridas: volante, bacquets (ainda que nesta caso sejam as normais), botão Sport e indicador de pressão do turbo. E, se por acaso nos esquecemos daquilo que temos entre mãos, o ronco do escape Record Monza deste Abarth 595C Monster Energy Yamaha promete muita diversão.

Os comandos são pesados, mas a condução é fácil e o Abarth pode ser levado com serenidade. A suspensão Koni FSD é firme (à qual se junta uma distância entre eixos reduzida), ou seja, exatamente o que queremos para explorar as capacidade do motor de 165 CV, mas como não vamos andar sempre no limite, acaba por se tornar cansativa numa condução diária.

Ainda assim, o essesse faz bom uso da suspensão firme para se tornar eficaz. A direção transmite a informação certa às mãos e, premindo o botão TTC (Torque Transfer Control), obtemos um efeito autoblocante ficando apto a distribuir a potência entre as duas rodas motrizes. O botão “Sport” torna a direcão mais pesada, o pedal do acelerador mais sensível ao movimento do pé direito para aumentar o “feeling” da condução e o som do escape ainda mais brutal.

Curvar rápido não é tema desconhecido para este Abarth. As prestações são boas e o 1.4 está sempre disponível, seja qual for o regime pretendido para “colar” o acelerador ao fundo, claro que com o modo Sport ligado esta afirmação faz mais sentido, até porque a diferença entre o “normal” e o “sport” é por demais evidente. Felizmente, os 165 CV surgem sempre de forma linear, tendo em conta que estamos perante um turbo de geometria fixa.

Apesar de ser um carro com vários pontos negativos, pouco prático, com materiais “mauzinhos” no tablier e alguns detalhes menos ergonómicos, é um automóvel que até esses aspetos consegue tornar cativantes.
Quanto a preço. Esta não é uma das séries especiais mais caras, nem uma das mais baratas, ainda assim custa 30 230 euros na opção de carroçaria cabrio.

Por: Ricardo Carvalho

FICHA TÉCNICA
Abarth 595C Yamaha Monster Energy
TIPO DE MOTOR Gasolina, 4 cilindros em linha, turbo
CILINDRADA 1.368 cm3
POTÊNCIA 165 CV às 5.500 rpm
BINÁRIO MÁXIMO 230 Nm às 3 000 rpm
V. MÁXIMA 218 km/h
ACELERAÇÃO 7,3 (0 a 100 km/h)
CONSUMO 6,7 l/100 km (misto)
EMISSÕES CO2 153 g/km
DIMENSÕES (C/L/A) 3.660 / 1.627 / 1.480 mm
PNEUS 205/40 R17
PESO 1.110 kg
BAGAGEIRA 185 litros
PREÇO 30 230 €
GAMA DESDE 23 484 €
I.CIRCULAÇÃO (IUC) 171,69 €
LANÇAMENTO julho de 2020

 

Publicidade
ÚLTIMA EDIÇÃO
Publicidade
Publicidade