Portada » Destaques » DS Boca de Sapo: a história do carro que deu nome a uma marca e transportou presidentes

O célebre modelo assinala o seu 65 aniversário em 2020.

A DS está de parabéns, já que um dos seus modelos, o “Boca de Sapo”, comemora o seu 65º aniversário. O DS (denominação oficial) foi o modelo da Citroën que deu nome à divisão, e posteriormente à marca (a partir de 2014), mais luxuosa do fabricante francês.

O primeiro DS da história foi um marco na indústria automóvel mundial e superou incontestavelmente o seu antecessor, o também inovador Citroën 11. Os motivos? Em primeiro lugar, uma carroçaria aerodinâmica e muito futurista para a época. Tinha a forma de gota de água e foi obra de Flaminio Bertoni, o célebre designer de automóveis italiano que criou alguns dos Citroën mais atrevidos e de maior êxito, como o 2CV ou o AMI-6 Sedan.

“Salão” para os passageiros

Não só a sua carroçaria rompia as convenções de meados dos anos cinquenta. O mesmo se passava com o interior. O habitáculo não tinha túnel de transmissão, o que permitía disponibilizar um piso plano e muito espaço. Isto levou a que este automóvel fosse descrito na sua época como um “salão para os passageiros da frente”.
Na parte mecânica ainda haviam mais inovações: tração dianteira, suspensão hidropneumática com corretor automático da altura ou as servo-assistências da direção e a dos travões. Além disso, a direção assistida, os faróis e a embraiagem estavam reunidos no mesmo sistema hidráulico. Graças à inovadora suspensão, o automóveis mantinha-se a direito depois de um furo de uma das suas rodas, evitando que o automóvel perdesse altura ao solo e descaisse sobre a mesma.

Um automóvel revolucionário

O Citroën DS ‘Boca de Sapo’ foi uma autêntica revolução para a época. Apesar do seu fabrico ser caro e da produção em série ter custado a arrancar, a procura de unidades era brutal. A primeira prova de que o automóvel seria um enorme êxito de vendas foi dada pelas 12 mil unidades reservadas nas 24 horas seguintes à sua apresentação oficial no Salão de Paris de 1955.
Em toda a sua carreira comercial, de 1955 a 1975, o Citroën DS chegou a vender mais de 1,5 milhões de unidades em todo o mundo. Teve uma renovação em 1968, com a introdução de novas aletas nos faróis duplos direcionáveis. Além disso, também foi aumentando progressivamente a sua cilindrada, potência e sistema hidropneumático melhorou. Do DS saíram versões coupé e descapotáveis, embora a berlina de quatro portas original fosse a mais procurada.

O DS que evitou um assassínio

O DS “Boca de Sapo” marcou um época em França e em mais países europeus. Era um automóvel para classes acomodadas, elegante, cómodo e com uma estupenda mecânica. Tanto que foi o automóvel eleito pelo general Charles de Gaulle, presidente da República Francesa (entre 1959 e 1969), para as suas viagens oficiais. Numa delas foi alvo de um atentado terrorista, saindo ileso graças à perícia do seu motorista e à suspensão hidropneumática, que manteve o automóvel estável para poder embora, embora com as rodas furadas pelos disparos dos assaltantes.

Além de proteger o presidente francês, também fez as suas aparições na competição, ganhando ralis tão prestigiantes como o Montecarlo e também o Campeonato Europeu de Ralis. Em 1999, o “Boca de Sapo” foi considerado como o terceiro melhor automóvel do Século XX, nos prémios ‘O Automóvel do Século’ da revista Classic & Sports Car, atrás do Volkswagen Carocha e do Mini.

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